Recuo de Cartaxo abre espaço nas oposições e favorece indicação de Cássio para disputar Governo do Estado

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A compreensível irritação de Luciano Cartaxo (PSD) com a demora na escolha do candidato das oposições não pode ser transformada em recuo, mesmo que estratégico, sob pena do prefeito perder espaço importante dentro dessa composição, que já não conta, a preço de hoje, com o MDB do senador José Maranhão. Cartaxo ainda é o principal nome das oposições para disputar o Governo do Estado, segundo as pesquisas, mas pode sucumbir se não demonstrar capacidade de unidade, outro fundamental requisito para alianças políticas e, até mesmo, para a vitória nas urnas.

Ao contrário do que muitos pensam, a “desaceleração” imposta por Cartaxo, que resolveu se dedicar mais à gestão administrativa por conta da demora na indicação do candidato a governador, não favorece o prefeito de Campina Grande. Romero Rodrigues já admitiu abrir mão da disputa, oferecendo o nome da esposa, Micheline, para a vaga de vice. O fez na presença das principais lideranças oposicionistas, não por vontade própria, mas para garantir o espaço do senador Cássio Cunha Lima, prioridade dos tucanos.

Não seria recomendável uma chapa com Romero e Cássio, mesmo amparada pela legalidade e pelas circunstâncias eleitorais. Por outro lado, como disse o deputado Aginaldo Ribeiro em relação ao PP, seria “inconcebível” uma eleição sem Cássio, principal liderança do PSDB no Estado. Partindo dessa premissa, na medida em que o nome de Romero perde força, cresce o de Cássio como alternativa. Tanto que o prefeito baixou o tom do discurso, admitindo inclusive que não poderia concorrer “sem apoios” e ainda que o lançamento de três candidaturas “seria um desastre”.

Romero sabe, pelas inúmeras conversas que teve sobre o tema, que a candidatura de Maranhão é irreversível. Portanto, para viabilizar a “operação tucana”, Cartaxo teria que desistir. Daí a decisão de adiar o quanto puder sua decisão sobre candidatura a governador. Além de irritar Cartaxo, o PSDB vem conseguindo desestimular os aliados do prefeito. E jogando a culpa em Maranhão. Não por acaso, auxiliares mais próximos como o super-secretário Zenedh Bezerra “buzinam” 24 horas por dia no ouvido de Cartaxo, alertando-o quanto ao risco de uma candidatura sem respaldo dos demais partidos de Oposição.

Cartaxo tem que reagir, sob pena de perder o “time” (timing) para se impor como candidato, mesmo que as oposições não tenham respeitado o “tempo certo” para as definições, na visão do próprio prefeito.

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