Durval é procurado por colegas para disputar presidência, mas aguarda posição de Cartaxo sobre eleição na Câmara Municipal

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Durval Ferreira (PP) foi procurado por colegas para disputar novamente a presidência da Câmara Municipal de João Pessoa, em 01 de janeiro. Um grupo de vereadores admitiu apoiá-lo em reconhecimento pelo trabalho que vem fazendo à frente do legislativo.

Cauteloso, o atual presidente agradeceu o apoio, mas deixou claro que vai aguardar pronunciamento do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) sobre o processo eleitoral na Câmara Municipal. Durval era tido como certo para a vaga de vice na chapa de Cartaxo, nas eleições de 2 de outubro, mas abriu mão para permitir o apoio do PMDB e do PSDB, que garantiu a vitória do prefeito em primeiro turno.

O PMDB indicou Manoel Júnior e Durval foi reeleito vereador, ficando em segundo lugar na disputa. Perdeu apenas para Léo Bezerra (PSB). O PP e vereadores aliados querem agora uma compensação.

Durval já avisou que não será problema para o prefeito. Como não foi até agora. Tanto que decidiu não disputar a reeleição, caso seja eleito em janeiro próximo. Fica apenas dois anos na presidência. Nos outros dois, apoia um colega da base.

Com a palavra, o prefeito Luciano cartaxo.

Violência e lixo tomam conta de mercado público do Rangel; Vereador eleito cobra providências

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O Mercado Público do rangel, um dos mais antigos de João Pessoa, pede socorro. A violência e o lixo tomaram conta do local, assustando comerciantes, clientes e moradores. O vereador eleito, Ronivon Mangueira (PMDB), cobrou providências do Governo do estado (Secretaria de Segurança Pública) e da Prefeitura de João Pessoa (Secretaria de Desenvolvimento Urbano) para resolver o problema.

“Lá, a sujeita tomou conta de tudo, afastando clientes e provocando revolta nos comerciantes. Para completar, o mercado e as imediações andam infestados de bandidos que roubam e assaltam diariamente. Além da falta de higiene, todos são obrigados a conviver com o medo. É preciso que as autoridades olhem para o Rangel”, afirmou Mangueira.

Mangueira já contatou com o chefe da Guarda Municipal, ex-vereador Geraldo Amorim, que prometeu mandar homens da Guarda Municipal para o local e até agora nada foi feito. Da mesma forma, procurou o secretário Ítalo Marinho, da Sedurb, que se encontrava em Natal na ocasião. “Falei com ele (o secretário) por telefone também, mas nenhuma providência foi adotada”, contou.

Os apelos à Secretaria de Segurança Pública também foram muitos, mas a bandidagem continua “fazendo a festa” no Rangel, de acordo com Mangueira. O vereador eleito disse que vai aguardar mais um pouco e se nada for feito pretende convocar a população para um protesto nas ruas. “Estamos tentando resolver da melhor forma possível, mas, se for preciso, vamos parar tudo lá e colocar o povo nas ruas em protesto contra o descaso das autoridades”, avisou.

Assembleia Legislativa deve debater que cria novo imposto para empresas paraibanas

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Esta semana, a expectativa é de que haverá um debate, digamos, mais acalorado que de costume na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Sobretudo pelo fato de que ficarão em rota de colisão os deputados Frei Anastácio (PT), conhecido pela contundência com que defende as suas ideias, e Tovar Correia Lima (PSDB), que defende a revogação da Lei criada pelo petista que determina que empresas invistam em programas socioambientais.

Nessa terça-feira (18), o tucano vai apresentar projeto para revogar uma lei de autoria do petista (nº 70/2015). A lei em questão obriga as empresas paraibanas a investirem até 1% do faturamento bruto em programas socioambientais que assegurem recuperação de rios, replantio de árvores, implantação de creches e cursos profissionalizantes. Tovar afirma que a lei é inconstitucional.

Frei Anastácio já deu o tom do que deverá defender na sessão e vinculou à atitude de Tovar à conjuntura da política nacional: “Como um deputado pode ficar contra uma lei dessa? Só pode ser para reforçar o projeto golpista instalado no país”. Frei acredita que existem “forças estranhas” pautando as atitudes do deputado Tovar Lima. Ele questiona o porquê de os deputados não terem avaliado antes que o projeto era inconstitucional, uma vez que ele foi aprovado pela maioria.

Já de acordo com Tovar a expectativa é de que pelo menos 13 parlamentares assinem o documento e que aconteçam mais adesões à medida que discussões ocorram no plenário da Casa. “Temos esses dois caminhos, sendo que o da Assembleia é mais rápido. Esse caminho pode demorar até 40 dias para ser completamente finalizado”, explicou o deputado Tovar Correia Lima, um dos responsáveis pela iniciativa.

Vereadores de Campina Grande querem “congelar” os próprios salários por conta da crise econômica

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Por conta da crise, alguns vereadores de Campina Grande estão defendendo o congelamento dos próprios salários. Ainda na legislatura atual, o vereador Napoleão Maracajá (PCdoB) garantiu que se fosse reeleito para exercer o mandato em 2017, votaria contra o reajuste no salário dos vereadores de Campina Grande. O comunista perdeu as eleições, mas mantém a posição

Ele afirmou que não estava sendo hipócrita, mas um aumento dos salários dos parlamentares não condiz com a crise financeira enfrentada no Brasil e o congelamento de salário da classe trabalhadora. -Não que eu seja hipócrita, que eu não quisesse ganhar mais, mas diante de tudo que estamos vivendo, diante dos colegas professores que não receberam seus reajustes em todas as suas instâncias, os servidores com seus direitos retirados, eu votarei contra – garantiu.

Após as declarações de Maracajá outros vereadores se posicionaram contra o reajuste dos salários. A vereadora reeleita de Campina Grande, Ivonete Ludgério (PSD), defendeu que parlamentares da Casa Félix Araújo congelem seus salários por causa da crise econômica e financeira enfrentada no Brasil.

– Nós vivemos uma crise financeira muito grande. Como vereadores temos um aumento de quatro em quatro anos e é baseado no aumento da inflação. Embora eu acredite que possa haver um congelamento, que é o ideal. Eu acredito que os vereadores também nenhum obstacule essa questão, até porque a grande maioria tem outras fontes de renda, todo mundo trabalha, e eu também não fui candidata por conta de um salário ou benesse que a Câmara pudesse me proporcionar – concluiu a líder do governo.

O presidente da Câmara Municipal de Campina Grande, Pimentel Filho (PSD) também. não descartou a possibilidade de que os vereadores também sigam a ação do prefeito campinense e não queiram o reajuste.

– É possível sim. Tenho que apresentar qual será o reajuste e conversar com os vereadores, mas que decide é o colegiado – afirmou. No entanto, ele ressaltou que essa decisão colegiada deverá ser tomada pelos 23 parlamentares da atual legislatura.

Em entrevista, o vereador eleito Teles Albuquerque (PSC) também falou sobre a proposta de congelamento do salário dos vereadores lançada pelo então presidente da Câmara Municipal, Pimentel Filho (PSD), e afirmou ser favorável ao processo.

“É muito séria a questão da crise. Uma prefeitura que arrecadava R$ 35 milhões hoje não está arrecadando R$ 30. Eu tenho que acompanhar, eu não posso querer ser melhor, não é esse salário que vai resolver a minha vida. E a vida do povo de Campina Grande? E a dos professores? E dos agentes de endemia? E dos médicos? E o pessoal do PSF? Eu tenho que pensar no todo, mas quem decide não sou eu. Quem decide é a atual legislatura. Eu deixaria o salário congelado, a partir de hoje, do jeito que o prefeito propôs” disse.

Severino Lopes

Com PB Agora

Cássio faz “mea culpa” sobre 2014, reconhece força do PMDB e quer ampliar oposições para 2018

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Mesmo admitindo não disputar as eleições de 2018 na Paraíba, coisa que ninguém acredita, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB) está cada vez mais inserido no contexto político estadual. Foi dele, por exemplo, a iniciativa de unir as oposições ao governador Ricardo Coutinho (PSB) em favor do projeto de reeleição do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD). A estratégia deu tão certo, que Cartaxo venceu no primeiro turno, como planejaram os oposicionistas.

Agora, o desafio de Cássio é manter essa unidade, projetando-a para o plano estadual. Mais que isso, o tucano quer ampliar o bloco que deu a vitória à Cartaxo. A maturidade política, alcançada após o revés da cassação do mandato e a consagração de sua imagem em nível nacional, fez o senador abandonar um pouco o temperamento emotivo, herdado do pai (poeta Ronaldo Cunha Lima), buscando focar as ações políticas no pragmatismo oriundo da mãe (Dona Glória Cunha Lima).

Em análise pós-eleições municipais de 2016, Cássio reconheceu que, em muitos cenários políticos, ganha quem tem mais apoios e não quem, aparentemente, tem mais votos (indicado por pesquisas de opinião pública). Ele fez uma espécie de “mea culpa” sobre o resultado de 2014, quando era favorito e perdeu, no segundo turno, para o governador Ricardo Coutinho (PSB).

“O fato de ter ganho no primeiro e o fato do PMDB, com quem não me aliei, ter votado em Ricardo no segundo turno foi decisivo. Tanto é que essa aliança que fizemos agora em João Pessoa demonstrou claramente isso. Ninguém sozinho tem a hegemonia política na Paraíba. Errar serve de aprendizado. Em 2014, terminei, por uma série de fatores, deixando de ampliar as alianças que nós tínhamos e isso foi um fator decisivo nas eleições”, afirmou Cunha Lima, reconhecendo o poderio decisivo do PMDB, em entrevista ao radialista Fabiano Gomes.

O senador garante que aprendeu a lição. Prova disso foi a aliança “costurada” na capital paraibana para reeleger Cartaxo, que estava no palanque adversário em 2014. E Cássio não quer só manter. Trabalha para ampliar essa aliança, admitindo inclusive abrir mão da cabeça de chapa, mesmo sendo favorito novamente para disputar o Governo do Estado em 2018.

O cenário de 2018 não será o mesmo de 2014. O Cássio também não.

CHORO DE PERDEDOR ? Candidato derrotado denuncia compra de votos na Capital. “Só ganha quem compra votos”

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Derrotado nas urnas em 2 de outubro, quando obteve apenas 1.132 votos, Cristiano Possidônio levantou suspeitas sobre a licitude das eleições proporcionais em João Pessoa. Segundo ele, “só se elege quem tem dinheiro para comprar votos”. A declaração generalizada de Possidônio, que também é vice-presidente do PROS na Capital, atinge os 27 vereadores eleitos, sem distinção, e também a Justiça Eleitoral, responsável pela organização e fiscalização do pleito.

Possidônio não citou nenhum caso concreto, muito menos provas de suas denúncias. Mas, assegurou que no resultado da eleição em João Pessoa prevaleceu o “quem paga mais pelo voto”, onde “o dinheiro fez a diferença”. O candidato derrotado disse que “a compra de votos foi escancarada” e criticou a “ineficiência” da Justiça Eleitoral para coibir os ilícitos. “Não vivos as autoridades agirem de forma anérgica”, protestou.

Não é a primeira vez que surgem denúncias de compra de votos na Capital. O vereador Felipe Leitão chegou a ter o mandato cassado em 2012 por ter se beneficiado com as ações do chamado “Votinho de Ouro”, que recebia dinheiro de candidatos para compra de votos. Leitão se reelegeu em 2012, mas não teve a mesma sorte no pleito do último dia 2 de outubro.

Será verdade a história contada por Possidônio ou apenas se trata de mais um “choro de perdedor”?

Último lugar na eleição para prefeito de Lagoa de Roça com 51 votos, Walter Brito quer disputar vaga na Assembleia Legislativa

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O ex-deputado Walter Brito Filho (PP) ficou em último lugar na eleição para prefeito do município de São Sebastião de Lagoa de Roça, no dia 2 de outubro de 2016, com apenas 51 votos. Ele obteve menos de 1% dos votos válidos. Para se ter ideia do fracasso, o último vereador eleito na cidade, Professor Airlan, conquistou 232 votos. Quase quatro vezes mais que o candidato a prefeito. Mesmo assim, Walter Brito quer disputar vaga na Assembleia Legislativa em 2018, na tentativa de recuperar o mandato que exerceu por cinco vezes.

O desastre da família Brito nas eleições municipais de 2016 foi completo. Walter Brito Neto (PEN), ex-deputado federal e ex-vereador, teve a candidatura a prefeito de Campina Grande impugnada. Não chegou sequer a ser votado. Mesmo assim, já anunciou que pretende disputar vaga no Senado Federal em 2018. O patriarca Walter Brito, proprietário da Empresa de Transportes Coletivos Intermunicipais Real, com monopólio do trecho entre João Pessoa e Campina Grande, torce para que o filho e o neto desistam, diante do custo das campanhas eleitorais.

A derrota vergonhosa nas urnas do filho e do neto, nas eleições de 2016, deve ter convencido ainda mais o empresário de que o lugar dos pimpolhos é fora da política. Aliás, só os pretensos candidatos ainda não enxergaram isso. O eleitor e a Justiça já deram o recado.

Se os dois querem seguir em frente, o problema é deles.

Cartaxo e Ricardo devem aproveitar apenas três vereadores eleitos para garantir vagas à suplentes

Zezinho deve assumir mandato (Imagem da Internet)

Zezinho deve assumir mandato (Imagem da Internet)

O prefeito Luciano Cartaxo (PSD) e o governador Ricardo Coutinho (PSB) devem aproveitar pelo menos três vereadores eleitos em 2 de outubro para assegurar vagas aos suplentes na Câmara Municipal de João Pessoa. E as mudanças estão previstas já para o primeiro semestre de 2017, pouco depois da eleição da mesa diretora. Quase metade da atual composição da Casa de Epitácio Pessoa não conseguiu renovar o mandato, mas poucos terão o privilégio de ser contemplados, seja nas gestões estadual e municipal ou no Parlamento.

Do grupo de Ricardo Coutinho, o mais cotado para receber o devido “socorro” é o vereador Zezinho do Botafogo, primeiro suplente da coligação PSB/PEN/PRP. Para isso, o governador teria duas opções: convidar Tibério Limeira para a Secretaria de Esportes, pasta que já ocupou, ou nomear Sandra Marrocos de volta à FAC (Fundação de Assistência Comunitária). A coligação elegeu também Tanilson Soares, que tem interesse em disputar a presidência do Legislativo.

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Pedro deve voltar ao IPM (Imagem da Internet)

Com um número bem maior de aliados que não conseguiram renovação de mandatos, Cartaxo tem uma situação mais complicada. Somente na coligação PSD/PSDB/PHS/PTN, cinco atuais vereadores vão virar suplentes a partir de janeiro. Pela ordem: Professor Gabriel, Marmuthe Cavalcanti, Benilton Lucena, Marco Antonio e Bira. Foram eleitos Elisa Virgínia, Luiz Flávio, Marcus Vinicius, Pedro Alberto Coutinho e Raíssa Lacerda. Até agora, de certo mesmo só a volta de Pedro Coutinho ao IPM (Instituto de Previdência Municipal) para garantir vaga ao Professor Gabriel.

A coligação PC do B/PSDC elegeu Helton Renê e João Corujinha. Helton fez um bom trabalho no Procom e deve reassumir o comando do órgão, cedendo vaga ao primeiro suplente Carlão.

Marmuthe Cavalcanti, Benilton Lucena, Marco Antonio, Bira e José Mariz poderão ser aproveitados em cargos de terceiro, segundo e até primeiro escalões na gestão municipal. Mas, pelo que se comenta no Paço Municipal, o aproveitamento não será imediato. “Os suplentes terão que ter paciência e aguardar que o prefeito monte esse quebra-cabeças”, explicou um graduado auxiliar de Cartaxo.

O pior é que, com tanta concorrência, não dá nem para fazer cara feia.

Cartaxo deve lançar irmão para compor chapa majoritária em 2018 e concluir mandato na Prefeitura de João Pessoa

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Luciano Cartaxo está disposto a concluir o mandato de prefeito de João Pessoa e pretende lançar o irmão, Lucélio, para compor chapa majoritária das oposições nas eleições de 2018, revelou uma fonte próxima ao Paço Municipal. O cargo que Lucélio disputará dependerá da conjuntura política no ano eleitoral, mas a prioridade é uma vaga no Senado Federal, como aconteceu nas eleições de 2014. “Luciano só deixa a Prefeitura antes (do fim do mandato) se for absolutamente necessário para vitória das oposições”, garantiu a fonte.

O prefeito já definiu algumas medidas a serem adotadas no segundo mandato. Uma delas é deixar Lucélio fora da administração para cuidar do crescimento do PSD, junto com o presidente estadual do partido, deputado federal Rômulo Gouveia. “Essa questão de alianças para 2018 deve ser tratada pelo presidente estadual Rômulo Gouveia e por Lucélio (Cartaxo), que preside o diretório de João Pessoa. As eleições (municipais) passaram e agora vou voltar o foco para a administração”, tem dito Cartaxo, a quem lhe pergunta se poderá ser candidato a governador nas próximas eleições.

Vontade de concorrer ao Palácio da Redenção não lhe falta, mas Cartaxo tem “adversários” dentro da própria aliança que o reelegeu no dia 2 de outubro. O senador José maranhão, presidente do PMDB, não esconde de ninguém o desejo de voltar a comandar o Estado. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB), que tem apoio declarado do primo prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, também reeleito, tem disfarçado, mas é pré-candidatíssimo. Portanto, não seria fácil Cartaxo desbancar essas duas lideranças.

No caso de Lucélio, a missão seria menos árdua. O prefeito pessoense teria apenas que convencer Rômulo Gouveia, que sonha com o Senado há muito tempo, a abrir mão de seu projeto. Até porque, em 2018 estarão em jogo duas vagas de senador.

Mas, até lá, tudo pode mudar.

OPERAÇÃO DESUMANIDADE: Rodrigo Janot cria força-tarefa para investigar família do deputado Hugo Motta

Foto: Lula Marques

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, criou no último dia 20 de setembro uma força-tarefa para acompanhar os desdobramentos da operação Desumanidade do Ministério Público Federal da Paraíba. A Desumanidade investiga irregularidades e direcionamento do resultado de licitações que beneficiaram a empresa Soconstrói Construções e Comércio, entre os anos de 2012 e 2013, no município de Patos (PB). Entre os investigados estão ao menos cinco integrantes da família do deputado Hugo Motta (PMDB).

De acordo com portaria publicada, a PGR autorizou que os procuradores Djalma Gusmão Feitosa, Tiago Misael de Jesus Martins, lotados na Procuradoria da cidade de Sousa (PB) e Renan Paes Félix, lotado em Monteiro (PB), oficiem em conjunto com o procurador da República João Raphael Lima e com o procurador regional da República Duciran Van Marsen Farena, coordenador dos trabalhos, nos processos e investigações relacionadas à Desumanidade.

Ex-presidente da CPI da Petrobras, Motta teve sua mãe, Ilanna Motta, presa em outra investigação, a Veiculação. Por conta da mesma investigação, sua avó, Chica Motta, foi afastada do cargo de prefeita de Patos. O cunhado de Motta, José Willian Segundo Madruga, e o atual marido de sua mãe, Renê Caroca, também foram presos pela Polícia Federal no âmbito da investigação. Nabor Wanderley, pai de Motta, é apontado como líder do grupo criminoso e seria destinatário de 10% do valor dos contratos, segundo proposta de delação premiada dos proprietários da Soconstrói.

De acordo com a investigação, foram encontrados graves indícios de irregularidades e direcionamento do resultado de licitações que beneficiaram a empresa Soconstrói Construções e Comércio entre os anos de 2012 e 2013. Ainda segundo o relatório do MPF, restou provado em diligências realizadas nas obras, que agentes públicos estavam “diretamente envolvidos com a execução das obras”. Por meio do cruzamento dos sigilos fiscais e bancários da empresa e dos investigados, o MPF mapeou que os valores oriundos das parcelas pagas pela Prefeitura à empresa tinham três destinos.

“Observou-se que, após cada parcela recebida pela empreiteira, os recursos tinham os seguintes destinos: a) Transferências de valores altos para determinadas pessoas; b) saques de quantias vultosas; e, c) transferências de valores mais baixos para contas de determinadas pessoas”, informa o relatório de Análise 03/2016 do MPF. Os valores recebidos pela Soconstrói da Prefeitura de Patos, segundo o MPF, eram imediatamente transferidos para contas de determinadas pessoas, na mesma data de crédito nas contas da empresa, bem como sacados com cartão ou em espécie. No entendimento dos investigadores, “pode-se concluir que as despesas operacionais das obras sob investigação, não foram pagas diretamente pela empreiteira.

A comprovação de que os valores recebidos pela Soconstrói não permaneciam sequer um dia em suas contas, aponta o MPF, “corrobora com os registros das interceptações telefônicas, os quais revelaram que a execução das obras e a movimentação parte considerável dos recursos públicos estavam sob o domínio de pessoas não pertencentes ao quadro societário da contratada”. Entre essas pessoas, estão Ilanna Motta e Segundo Madruga, mãe e cunhado do ex-presidente da CPI da Petrobras.

Para ilustrar esses repasses, o MPF mostra que dos R$ 20 mil repassados para a Soconstrói no dia 27 de fevereiro de 2014, R$ 14,7 mil foram repassados para Segundo Madruga. Por sua vez, dos R$ 57,8 mil pagos na 2ª e 3ª parcela do contrato entre a prefeitura de Patos e a Soconstrói, R$ 5 mil foram tiveram como destinatário final a mãe de Hugo Motta, Ilanna Motta.

No relatório em que detalha os repasses da empresa contratada pela Prefeitura cujo destinatário foram as contas da mãe do deputado Hugo Motta, o MPF também aponta que Ilanna Motta apresentou movimentação financeira em uma conta no Banco do Brasil “que superou em 97,14% seus rendimentos líquidos em 2014, declarados à Receita Federal do Brasil”.

O MPF ainda aponta que ligações telefônicas interceptadas no âmbito da operação Desumanidade “revelam que a Sr.ª Ilanna Mota também participou das atividades ligadas às obras das unidades básicas de saúde” alvo da investigação.

Delações.

O empresário José Aloysio Machado da Costa Júnior, dono da empresa Soconstrói, apresentou uma proposta de delação premiada ao Ministério Público Federal da Paraíba, no âmbito da Operação Desumanidade, na qual afirma que 20% dos valores desviados da construção de Unidades Básicas de Saúde (UBS) abasteceram a campanha do deputado Hugo Motta (PMDB). Em depoimento gravado em vídeo e entregue aos investigadores, o empresário declarou que o dinheiro destinado a Hugo Motta saiu do Contrato 51/2013 que previa a construção de 11 unidades básicas de saúde (UBS) e de uma academia de saúde em Patos. Parte das obras foi bancada com emendas parlamentares destinadas por Motta.

A procuradoria-geral da República já foi oficiada do conteúdo com citação ao parlamentar e o conteúdo, bem como a aceitação ou não da proposta, ficará aos cuidados do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Por sua vez, José Aloysio da Costa Machado Neto, pai de Júnior, afirmou em proposta de delação premiada que o pai do deputado Hugo Motta (PMDB-PB) recebeu 10% em propina sobre obra da Prefeitura do município de Patos. Nabor Wanderley da Nóbrega Filho, pai do peemedebista, é candidato a prefeito do cidade pelo PMDB. De acordo com o depoimento, a propina saiu de um contrato de terraplanagem de ruas de Patos.

Nabor era o candidato do grupo político da família Motta à Prefeitura de Patos nas eleições municipais deste ano. Nabor perdeu a eleição para o candidato do PSDB na cidade e encerrou o domínio de cerca de 40 anos da família na cidade de Patos.

Questionado à época, o advogado Solon Benevides, que representa os integrantes da família Motta, afirmou à reportagem que os fatos não podem ser objeto de análise pública porque estão sob sigilo. Segundo ele, a prefeita Chica Motta mandou abrir uma sindicância para apurar as possíveis irregularidades. “No curso da instrução vamos provar que as acusações não tem procedência”, afirmou Benevides.(AE)

Com Diário do Poder