Que a população não acredita nem muito menos confia na classe política, todo mundo já sabe. Porém, mais interessante que essa constatação são os motivos alegados para a descrença. Um dos principais, o eleitor tem na ponta da língua: “político não tem palavra”. O prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PSD), é prova cabal de que o eleitor tem razão.
A partir deste domingo, o pessoense estará pagando mais caro pela passagem de ônibus, que passa de R$ 2,76 para R$ 3,00. O aumento não é surpresa porque, o próprio Cartaxo, autorizou medida semelhante em duas ocasiões no ano passado (em fevereiro de R$ 2,35 para R$ 2,45 e em julho para R$ 2,76). Depois, tudo está aumentando nesse país, incluindo o combustível. Então, por que a tarifa dos coletivos ficaria sem reajuste?
Absurdo mesmo foi a “quebra de palavra” do prefeito. Cartaxo havia garantido, dias atrás, que não haveria mais aumento de passagem, pelo menos por enquanto e muito menos nessas proporções – quase trinta centavos. A cara de “bom moço” somou-se ao discurso fajuto e a população acabou acreditando. Justificava o prefeito, naquela ocasião, que a implantação dos famosos BRTs (metrôs de superfície com custo bem menor) logo entrariam em funcionamento, barateando as despesas dos usuários. Outra mentira deslavada.
Até agora, o projeto não saiu do papel. Até briga com o Governo do Estado Cartaxo arrumou por causa do terreno onde seria construído um terminal dos veículos, dentro do “fabuloso” projeto, tentando brecar a construção do Trevo das Mangabeiras, já em funcionamento. Essa sim, uma obra que melhorou e muito o trânsito na zona sul. Achando pouco, o prefeito agora tem crise de amnésia, esquece o que prometeu e “deixa rolar” de acordo com a vontade do empresariado, responsável pela maior fatia das doações de campanhas eleitorais, a política tarifária da Capital.
Qual será a desculpa do prefeito? Dirá que se enganou? Que pensou melhor e decidiu mudar de ideia? Ou vai endossar a pecha de “cara de pau”, sem dar qualquer satisfação, da maioria da classe política?
Mais uma vez, Cartaxo quebrou a palavra e o povo quebrou a cara.

