O prefeito Luciano Cartaxo (PT) vem entregando benfeitorias contabilizadas como obras para atingir a meta de inaugurações até o final do ano, prometida em praça pública. Pintura de praças, escolas e meio-fios, além da “climatização” de salas de aula são algumas das “grandes realizações” executadas pela gestão atual. Não se sabe ainda se o caso é resultado de falha de assessoramento ou má-fé, mas já transformou o prefeito em alvo de chacotas nas redes sociais e nas ruas da Capital.
Apelidos “carinhosos” como “prefeito das praças”, “prefeito meio-fio” e “prefeito gelado” são comuns na boca do povo, seja nas esquinas e avenidas ou na internet, todos ironizando as ações desenvolvidas pela Prefeitura da Capital e entregues com grande pompa. O advogado Marcos Pires, um dos mais conceituados profissionais da área jurídica paraibana, já rotulou Cartaxo como “prefeito festinha”, uma referência aos pequenos eventos musicais pagos pela Prefeitura de João Pessoa.
“Temos o trânsito mais caótico do Brasil e o prefeito se preocupando com coisa pequena, que em nada contribui para a solução dos problemas da cidade”, sustenta Pires, citando que “enquanto o Brasil inteiro está preocupado em ampliar espaços para estacionamentos a PMJP está reduzindo”.
Outro advogado, que preferiu não se identificar, disse que colocar aparelhos de ar-condicionado em salas de aula e pintar bancos e meio-fios de ruas e praças nunca foram obras e sim benfeitorias. “São benfeitorias porque as obras já existem, que são as escolas, as praças e as ruas. O gestor apenas está melhorando as condições dessas obras. Se alguém chama isso de obra está tentando enganar a população”, afirmou.
O jornalista Cristiano Machado postou em seu portal Momentopb que “Cartaxo está entregando mais uma grandiosa obra e sua gestão tem tudo para ser reconhecida internacionalmente”, referindo-se à climatização de mais uma escola, anunciada pelo prefeito. Segundo o jornalista, “o trabalho (climatização) é tão complexo que a Prefeitura de João Pessoa estaria reunindo os melhores técnicos, especialistas e até cientistas renomados para acompanhá-lo e executá-lo”.
A ironia do jornalista não para por aí. Machado imagina que, pelo andar da carruagem, a próxima “grande obra” de Cartaxo será climatizar a Lagoa do Parque Solon de Lucena. “Dizem que já estaria em estudo”, completou.
Guardados os exageros, o fato é que, principalmente após esses escândalos de corrupção que afloraram no Brasil, a população está mais atenta aos movimentos dos gestores, cobrando mais e tentando separar “o joio do trigo”. Em João Pessoa não é diferente. Por ser uma Capital, tem moradores mais esclarecidos que certamente não se deixariam enganar por benfeitorias quando a cidade necessita de obras concretas, efetivas e de grande alcance social. Temos aí a Saúde, Educação e Mobilidade Urbana, só para citar esses exemplos, necessitando de intervenções urgentes e não de “arrumadinhos”.


