O clima dentro do PT está de “vaca desconhecer bezerro”, como se fala no interior do Estado. Depois da discussão com deputados do PMDB, que provocou a entrega da liderança por Anísio Maia, a situação ficou insustentável. Tanto que alguns petistas já falam em propor, no Encontro Estadual de amanhã, o adiamento da decisão sobre as eleições na Paraíba. “Se amanhã o clima permanecer tenso, como está hoje, devo apresentar proposta para que essa decisão seja adiada”, avisou o vereador Benilton Lucena.
Duas teses foram inscritas para o Encontro Estadual. A primeira, de autoria do grupo do prefeito Luciano Cartaxo, prevê o lançamento de candidatura própria pelo PT. No caso, com o nome da advogada Nadja Palitot encabeçando a chapa. A segunda tese, encabeçada pelo grupo do deputado Frei Anastácio, prevê aliança com o PMDB já em primeiro turno, com a indicação do irmão do prefeito, Lucélio Cartaxo, para disputar o Senado Federal ao lado de Veneziano Vital do Rego, pré-candidato a governador.
Benilton e outros petistas são realistas quanto ao quadro atual e futuro. Não enxergam a menor possibilidade de acordo entre os dois grupos. “Pelo jeito, a decisão será no voto mesmo. E se for para o enfrentamento no clima que existe hoje, é melhor deixar para o Diretório Estadual decidir (entre as duas teses) depois”, avaliou.
De fato, o escancaramento do “racha” do PT agora não seria bom nem para o partido nem para os aliados peemedebistas. Mas, se vier a ocorrer, não será surpresa. O PT na Paraíba há muito tempo carrega o estigma separatista em sua volumosa bagagem.

