O site PBAgora publicou declaração do prefeito Luciano Cartaxo (PSD) mandando recado explícito aos vereadores que, mesmo fazendo parte de sua base política, assinaram requerimento de apoio à instalação de uma CPI para investigar denúncia de desvio de R$ 9 milhões nas obras de reforma da Lagoa. Sem cerimônia, Cartaxo avisou: “Quem nomeia e exonera sou eu”.
A frase mostra bem a outra face do gestor, oculta até a campanha eleitoral de 2014, quando se apresentou ao eleitor pessoense como pregador da paz e do diálogo, imagem cultivada posteriormente por seus aliados. Nem mesmo ditadores mundialmente famosos como Hitler, Mussolini e Fidel Castro precisaram lembrar aos “súditos” o seu poder de mando. Quem, por acaso, não sabe que cabe ao prefeito, governador e presidente da República nomear e exonerar?
O prefeito “do diálogo” mais uma vez “pisou na bola”. O discurso ditatorial soou como uma ameaça aos vereadores. É como se Cartaxo quisesse lembrar que as atitudes dos vereadores determinariam a permanência ou não de seus aliados nos caros que ocupam. É patente que se governa com aliados e não com adversários. Daí a usar essa condição (de mando nos cargos) para pressionar vereadores, vai uma distância imensa.
Mais do que nunca, os ex-aliados devem estar convictos de que algo de errado ocorreu nas obras da Lagoa, diante das ameaças e da resistência do prefeito à instalação da CPI. Mais do que nunca, os eleitores que escolheram esses políticos para representá-los na Câmara Municipal devem estar orgulhosos de suas posições. E, mais do que nunca, os que votaram em Cartaxo devem estar se perguntando: Por que elegemos esse prefeito?

