O político Luciano Cartaxo sempre foi bom de conversa. Aliás, sua trajetória como parlamentar foi marcada muito mais por conversa do que por propostas significativas. Mas, ultimamente, nem de conversa o prefeito quer saber, principalmente quando o assunto inclui o governador Ricardo Coutinho (PSB), um aliado próximo, bem próximo de se tornar adversário.
Foi assim na manhã desta quarta-feira, durante lançamento de mais um ciclo do Orçamento Participativo, em João Pessoa. O prefeito foi questionado sobre as assinaturas dos deputados petistas Frei Anastácio e Anísio Maia, este último seu porta-vez na assembleia Legislativa, em requerimento que pede abertura de uma CPI para investigar denúncias de irregularidades no governo de Ricardo Coutinho, mais precisamente no Programa Empreender.
Além de não abordar o mérito da decisão dos petistas, Cartaxo jogou para o PT as avaliações sobre a postura de Frei Anastácio e Anísio Maia. Disse apenas que cabe à direção estadual avaliar e se posicionar sobre o assunto. Ou seja, nem defendeu o aliado Ricardo Coutinho, a quem clama pelo apoio político para sua reeleição, e tampouco censurou os companheiros de partido. Preferiu “acender uma vela a Deus e outra ao Diabo”, como se costuma rotular posições dúbias.
Anísio e Anastácio adoraram. A resposta de Cartaxo soou como um “sinal verde” para outras eventuais decisões polêmicas envolvendo o Governo do Estado. A cúpula do PT e o Palácio da Redenção, nem tanto. A postura foi vista como ato de fraqueza de quem parece não ter posições firmes quando se refere a defender seus aliados. “É assim que Cartaxo quer o nosso apoio para sua reeleição?”, questionou um deputado socialista, que preferiu não se identificar.
A “guerra fria” entre PT e PSB parece não ter fim.

