A CPI da Petrobras deve se reunir nesta quinta-feira para tomar, talvez, sua mais importante decisão até agora. Os parlamentares votarão pedido de convocação do ex-presidente Lula da Silva que, para muitos, seria o principal responsável pelo esquema de corrupção na estatal brasileira e pelo Mensalão. O pedido foi feito pelo DEM, do deputado paraibano Efraim Filho.
Foi no governo Lula que ocorreu boa parte dos escândalos envolvendo o PT e petistas de proa como José Dirceu, Jeonoíno, Delúbio Soares, Marcos Valério, Vaccari e etc, incluindo o que provocou rombo bilionário na Petrobraas, levando a empresa à derrocada. Por isso, os democratas consideram o ex-presidente peça imprescindível no quebra-cabeças chamado Petrolão. Faz sentido. A dúvida é se a CPI terá coragem de chamar Lula.
Quando estourou o esquema de corrupção na Petrobras e começaram as manifestações nas ruas contra o governo Dilma, o impeachment da presidente era dado como certo, tomando como base o caso do ex-presidente Collor de Mello, defenestrado do poder por muito menos. O que se viu, de lá para cá, foi uma sujeira sem limites que acabou atingindo também a Oposição, acusada de também ser responsável pela corrupção na estatal e de golpista. A chantagem emocional dos petistas e o avanço das benesses palacianas sobre partidos da base governista, principalmente o PMDB, forçaram a Oposição a repensar sobre o pedido de afastamento de Dilma, temendo a derrota e a desmoralização.
Mesmo caminho podem trilhar os parlamentares da CPI, por medo de retaliações do Planalto contra suas bases eleitorais. Semana passada, o governo aprovou medidas acabando com direitos dos trabalhadores. Ora, se os parlamentares chegaram a tal ponto, não seria exagero pensar que dificilmente terão “peito” para convocar Lula a depor. Até porque, a CPI da Petrobras, a exemplo da Câmara Federal, tem maioria governista, incluindo o paraibano Hugo Motta (PMDB), presidente da comissão.
Será uma reunião histórica da CPI, seja qual for a decisão tomada. Se aprovar a convocação de Lula, a CPI estará amparando discurso de Hugo Motta, na primeira reunião, garantindo que as investigações seriam isentas e não poupariam envolvidos, mesmo em se tratando de “figuras coroadas”, como é o caso. Mas, se rejeitar a convocação, a comissão dará à sociedade brasileira mais uma prova de que foi criada apenas para alimentar palanques eleitorais e tentar disfarçar a roubalheira existente no País.

