O ex-deputado federal Carlos Dunga manteve-se fiel ao Grupo Cunha Lima durante décadas, mesmo se especializando na arte de “engolir sapos”. O maior deles foi, sem dúvidas, em 1994, quando mesmo indicado por toda sua bancada como candidato a vice na chapa do então senador Antonio Mariz, teve que abdicar da vaga em favor de José Maranhão. Mariz bateu o pé e disse que só disputaria o Governo do Estado tendo Maranhão na vice. E assim foi feito. Mas, as queixas são tantas que o próprio Dunga prefere nem elencar.
Dunga estava afastado da política desde que a família Santiago tomou-lhe o PTB. Agora, mesmo a contragosto, resolveu retornar à atividade filiando-se ao PSC, do deputado Renato Gadelha, de quem se considera admirador.
A decisão foi motivada por conflito localizado em Boqueirão, que sempre foi sua principal base eleitoral, onde a oposições comandadas por seu filho, o ex-prefeito Carlos José, não chegaram a um consenso sobre o nome que disputará a sucessão municipal. Diante do impasse, Dunga resolveu “entrar em campo” para evitar prejuízos ao grupo e admite até colocar seu nome à disposição na disputa de outubro.
É mais um sacrifício que um desejo. Dunga já governou Boqueirão. Foi ali que se projetou como liderança estadual. Mas, a idade e problemas de saúde podem transformar uma campanha eleitoral num desafio bem maior. Nada que Carlos Dunga não esteja acostumado a enfrentar.

