O STF decidiu pela extinção das vaquejadas no Brasil, sob o pífio argumento de que o esporte ou evento maltrata os animais. Digo pífio porque outros esportes, como o rodeio, maltratam deixam muito mais a impressão de maus tratos que a vaquejada e nem por isso foram considerados inconstitucionais. O rodeio é um evento sulista. A vaquejada é tipicamente nordestina. Talvez esteja ai o segredo de tanta contradição.
A pouca consistência do argumento que gerou a decisão está embutida na própria votação do Supremo. O resultado foi um empate em cinco votos. Coube à presidente, Carmem Lúcia, o desempate em favor da inconstitucionalidade, seguindo o entendimento do relator, ministro Marco Aurélio de Mello. Apesar de se referir a uma lei do Ceará, a decisão deve ser estendida ao resto do país.
O Nordeste tem que reagir. Aliás, o Brasil inteiro. Mais que um esporte, a vaquejada é um evento tão antigo quanto a própria cultura nordestina. Os ministros do SFT, em sua maioria, não pensam assim. Não levaram sequer em consideração o aspecto econômico e os prejuízos que a decisão provocará. Pode até não ser, mas o cenário aponta para mais um ato discriminatório contra a região.
A Associação dos Vaqueiros do Brasil, com sede em Alagoas, calcula que o fim das vaquejadas atingirá pelo menos 600 mil postos de trabalho, deixando um mesmo número de desempregados. Para um país em crise, buscando recuperar sua economia, seria trágico. Mas, nada disso importa na avaliação dos nobres ministros.
A entidade que defende o esporte lamentou a decisão, mas anunciou recurso ao próprio STF. Primeiro, entrará com embargos de declaração para esclarecer pontos “obscuros” na decisão. Com isso, acredita que possa reverter o entendimento dos ministros alegando, entre outras coisas, que várias medidas foram adotadas para evitar maus tratos durante as vaquejadas, contrariando alegação dos defensores dos animais.
Em outra vertente, a Associação dos Vaqueiros entende que a decisão refere-se apenas à lei do Ceará e não vale para outros estados. “A Bahia tem uma lei diferente e também terá que ser questionada”, explicou o presidente da entidade, Cícero Andrade, em entrevista aos jornalistas Heron Cid e Anderson Soares, do programa 60 Minutos, da Rádio Arapuan,
A vaquejada é um evento antigo. Surgiu entre os séculos XVII e XVIII. Em 2013, a atividade movimentava cerca de R$ 50 milhões anualmente. Fora os empregos que gerava e continua gerando. É incrível como somente agora, quando o Brasil mais precisa de empregos e renda, o STF tenha descoberto a inconstitucionalidade do esporte. Graças ao “trabalho” da Procuradoria Geral da República, que questionou a lei cearense.
Só no Brasil mesmo.

