Duas frases marcaram a passagem de Dilma Roussef pela Paraíba, na tarde desta quarta-feira, quando a presidente afastada participou de audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa. Uma delas, caiu como uma luva para a ocasião. Dilma afirmou que “a Paraíba sempre esteve à frente nos momentos decisivos da história política do Brasil”. A presidente aproveitou a frase para criticar o governo de Michel Temer por suspender o repasse de R$ 17 milhões para a conclusão do viaduto do Conjunto Ernesto Geisel, obra de extrema importância para otimizar o sistema de mobilidade urbana de João Pessoa.
Mesquinharia, desrespeito, prática anti-republicana e politicagem foram alguns termos usados pela petista para definir o episódio, avaliado pelo ministro das Cidades, Bruno Araújo, como um procedimento administrativo normal. Dilma, espertamente, aproveitou a origem do ministro, indicado pelo PSDB, para politizar o fato. Era tudo que o governador Ricardo Coutinho (PSB) e seus aliados queriam ouvir. Militantes petistas e socialistas, que compareceram em massa ao Espaço Cultural, vibraram como se estivessem num ato de protesto da Paraíba contra a suposta retaliação por pare do Governo Federal.
Em outra parte do discurso, a presidente voltou a se queixar do seu afastamento, agora denominado de “golpe parlamentar”. Dilma disse que, aos poucos, a população brasileira começa a reagir contra a mudança de comando no País, tomando como exemplo a presença maciça da militância no evento desta quarta-feira, na capital paraibana. A situação política atual, ela definiu com a seguinte frase: “A árvore da democracia está infestada de parasitas”.
Desta vez, a presidente acertou em cheio. De delação em delação, vemos nossas principais lideranças atoladas em denúncias de recebimento de propina e uso de dinheiro ilícito nas campanhas eleitorais. Situação que provoca revolta e indignação. O que Dilma não deixou claro, é se incluiu entre os “parasitas” seus companheiros de partido presos ou investigados por participação nesse conluio de ratazanas que surrupiaram os recursos públicos.
Ou será que a presidente, mesmo depois de afastada, continua sem ver nada, sem saber de nada?

