O deputado Carlos Dunga (PTB) não é de falar “pelos cotovelos”, como se costuma rotular os tagarelas. Apesar da experiência política que acumula. Mas, quando se mostra preocupado com uma situação ou fato, tem razões de sobra para tanto. Dunga decidiu tratar de um assunto que poucos se arriscam a abordar e, quando o fazem, é de forma superficial.
As dificuldades que PSB e PSDB enfrentam para manter a aliança vitoriosa em 2010 é o assunto principal do noticiário e dos bastidores da política paraibana. Não poderia ser diferente. A decisão final sobre a composição deve ser decisiva para o resultado das eleições do ano que vem. Não por acaso, os deputados governistas fogem do tema como o diabo foge da cruz. E Dunga tem consciência do peso dessa definição. Por isso, resolveu tomar para si a responsabilidade de provocar as duas principais lideranças envolvidas no processo – o governador Ricardo Coutinho (PSB) e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB).
Mesmo não sendo líder da bancada e respeitando o comando do deputado Hervázio Bezerra (PSB), Dunga foi ao governador e externou sua preocupação com a possibilidade de rompimento. Alertou Ricardo sobre os “incendiários” de plantão que estariam trabalhando efetivamente contra a aliança. Fez o mesmo com o senador tucano. Disse a Cássio que os excessos de aliados contra o Governo do Estado deveriam ser controlados, caso a intenção fosse prosseguir ao lado do PSB.
Ao final do diálogo franco individualizado, Dunga, mesmo sendo do PTB, cobrou de Ricardo e Cássio uma decisão urgente para aliviar o calvário das bases. Além dos deputados, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças se perguntam diariamente qual será o desfecho desse impasse. Como resposta, encontram apenas uma grande interrogação.
E olha que os argumentos de Dunga não se resumem a situação dos aliados. Passam também pelos adversários. O deputado de Boqueirão teme que a oposição, mais precisamente o PMDB, se aproveite de um eventual “racha” na esfera governista para voltar ao poder. Dunga acha que o “Cabeludo” de Campina Grande pode ser mais beneficiado do que se pensa com o rompimento entre Ricardo e Cássio. E disse isso aos dois caciques governistas.
Dunga é aliado incondicional de Cássio e está aliado de Ricardo, por quem não morre de amores. Mas, entre o atual governador e o PMDB de Veneziano Vital, não há dúvidas sobre sua escolha. Mudar de postura agora, depois da batalha das urnas em 2010, seria trocar o certo pelo duvidoso. Ou melhor, pelo errado.
Ao menos do seu ponto de vista.

