O discurso do líder do governo, Hervázio Bezerra (PSB), criticando o tratamento dispensado ao vice-prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira, acabou reabrindo uma das muitas “feridas” da gestão do prefeito Luciano Cartaxo (PSD). Mesmo que tenha sido só provocação, diante de um ano pré-eleitoral, Hervázio forneceu munição não apenas para a Oposição, mas também aos próprios aliados de Cartaxo simpatizantes do vice-prefeito.
Ao desprezar Nonato, o prefeito esquece que, além de vice, o ex-secretário de Comunicação do Governo do Estado é também presidente do PPS, partido que tem três vereadores, incluindo o líder da bancada de Situação na Câmara Municipal, Marco Antonio. Como representa o prefeito, Marco Antonio vem demonstrando entrosamento com a gestão municipal. O mesmo não se pode afirmar de Djanilson da Fonseca e, principalmente, Bruno Farias.
Aliás, Bruno ainda guarda mágoa da forma como foi defenestrado da Secretaria Municipal de Turismo. Pode-se afirmar, sem medo de errar, que sua relação com o prefeito jamais será a mesma. Tanto que na sessão de ontem, o vereador engrossou o coro da Oposição pela aprovação de um pedido de informações sobre a mal contada história do lixo da Lagoa, a cada dia mais fedido.
Sintonizado com Nonato, Bruno não deve migrar para a Oposição, por enquanto. Aguarda a movimentação do vice, a quem segue politicamente. E não será surpresa se Nonato levar o PPS para os braços de Ricardo Coutinho, superando divergências do passado. O que Bandeira não suporta mais – e isso faltou Hervázio dizer – é o processo de “fritura” e humilhação a que foi submetido.
É só questão de tempo.


