Presidente da CPI da Petrobras, o jovem deputado federal Hugo Mota (PMDB-PB) assegurou que não haverá “nenhum tipo de impunidade” e admitiu investigar até mesmo o ex-presidente Lula e a presidente Dilma se houver necessidade. Motta foi entrevistado pelo Correio Brasiliense e falou sobre como pretende continuar atuando na CPI e as alternativas que usará para recuperar o dinheiro desviado da estatal brasileira.
Mota revelou que não pretende poupar ninguém nas investigações, nem colegas de partido, nem tão pouco, o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. “Não haverá nenhum tipo de imunidade. A CPI vai investigar todos aqueles que cometeram algum tipo de irregularidade. Esse é o nosso objetivo e nós temos que deixar claro. A CPI pode investigar todos que estiverem lá, quem quer que seja”.
Confira a entrevista completa:
Ao assumir, o senhor recebeu muitas críticas de que seria uma marionete manipulada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, na CPI da Petrobras. Como pretende mudar essa visão?
Eu vivo num sistema democrático e tenho que escutar essas críticas. Porém, discordo frontalmente. Fui indicado pelo meu líder, Leonardo Picciani (PMDB-RJ). Não pedi para ser presidente. Isso é fruto do nosso trabalho na Comissão de Fiscalização. É um desafio para mim e acredito eu que tenho de dar essa contribuição. Tenho deixado muito claro que nossa conduta lá é autônoma. Não admito interferência de quem quer que seja no nosso comportamento. Tenho que agir como magistrado, que é ser imparcial.
Pretende ter uma postura dura na investigação contra peemedebistas citados na operação?
Minha posição é de magistrado. O deputado Hugo, do PMDB, é um e o presidente da CPI é outro. Isso será, sem dúvida, muito claro na nossa sessão. Até porque é minha reputação que está em jogo.
O relator petista Luiz Sérgio (RJ) também recebeu muitas críticas. Acha que ele apresentará um relatório diferente do vexame da CPMI da Petrobras do ano passado?
Vai sempre haver o questionamento de que a comissão não irá produzir o resultado esperado. Mas prefiro nutrir o pensamento de que o relatório do deputado Luiz Sérgio será isento e parcial. Se não, ele terá de arcar com as consequências disso. O nosso esforço é para que a comissão funcione, que traga quem tenha de trazer, que aprecie o que precisa ser apreciado. Queremos ter todos os elementos necessários para um relatório que tenha o maior número de fatos e de conclusões diante das denúncias para que o relatório possa mais bem subsidiado, com o pedido de punição de eventuais culpados.
Não acha que, se quisesse investigar, estando no governo há 12 anos, o PT já não teria apurado?
É claro que eles teriam investigado dentro dos órgãos de controle do governo. Não estamos aqui para discutir o que não foi feito, mas o que pode ser feito e espero que o futuro seja melhor que o passado.
Pretende investigar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou a presidente Dilma Rousseff?
Como vou defender uma apuração isenta se disser que não vou investigá-los? Não haverá nenhum tipo de imunidade. A CPI vai investigar todos aqueles que cometeram algum tipo de irregularidade. Esse é o nosso objetivo e nós temos que deixar claro. A CPI pode investigar todos que estiverem lá, quem quer que seja.
Com Correio Brasiliense

