A Prefeitura de João Pessoa mantém encaixotados, no Hospital Santa Isabel, 40 máquinas de hemodiálise avaliadas em mais de R$ 4 milhões. Os equipamentos estão em uma sala sem climatização e sem perspectiva de uso. A situação provocou revolta em integrantes da Comissão de Seguridade e Família da Câmara dos Deputados, que se encontra na Capital paraibana inspecionando a situação do sistema público de saúde.
O problema já havia sido diagnosticado dez meses atrás, durante a primeira visita da Comissão de Deputados àquela unidade hospitalar. Os visitantes esperavam ver, desta vez, os equipamentos em pleno funcionamento atendendo aos milhares de pacientes que dependem das sessões de hemodiálise para sobreviver. “Fiquei surpresa em chegar aqui e ver que nada foi feito, que nem mesmo os equipamentos estão em lugar protegido. Estão aqui jogados e cheios de poeira”, disse a representante do Ministério da Saúde, Maria Inêz.
A direção do hospital garantiu que os pacientes estão sendo atendidos. Mas, ao invés de utilizar os equipamentos adquiridos, a Secretaria Municipal de Saúde, que ainda não definiu quando as máquinas serão instaladas, paga à clínicas particulares para suprir a demanda.
Integrante da Comissão, o deputado federal paraibano Wilson Filho (PTB) chegou a apresentar emenda de R$ 300 mil para garantir a abertura do Centro de Hemodiálise do Santa Isabel. Hoje, o parlamentar se sente decepcionado por constatar que o esforço foi em vão. “Só temos a lamentar que nada foi feito, mas estaremos encaminhando um relatório ao Ministério da Saúde pedindo providências”, protestou.
Além de Wilson Filho, acompanharam as inspeções o secretário da Comissão de Seguridade da Câmara, Rubens Carneiro; os deputados estaduais Ricardo Barbosa, Renato Gadelha e Emano Santos; o representante do Conselho Municipal de Saúde, Jaílson; a representante do Ministério da Saúde, Maria Inêz, além de representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM). A equipe encontrou várias outras irregularidades nas unidades de saúde do município, a exemplo da superlotação do Trauminha de Mangabeira e 18 ambulâncias do Samu paradas, sem condições de uso.

