A revelação do presidente do PSD na Paraíba, deputado federal Rômulo Gouveia, de que Luciano Cartaxo lhe pediu silêncio absoluto em relação ao processo de sua mudança de partido mostra o quanto o prefeito foi desleal com o PT, partido que lhe deu a mão quando precisou e mandatos de vereador, deputado estadual e vice-governador, além do que exerce atualmente.
Pelo que disse Rômulo, o prefeito fez apenas duas exigências: silêncio e Discrição. Enquanto isso, negava aos quatros cantos a possibilidade de deixar o PT, alegando ser um homem partidário e coerente em suas decisões. Cartaxo precisou de apenas dois meses para dar o golpe fatal, mostrando que seu instinto predatório é bem mais ativo que sua pose de vítima.
Partidário, ele nunca foi. Todos sabem que o PT sempre foi Cartaxo, mas Cartaxo nunca foi PT. Tanto que, entre os próprios companheiros, o prefeito era conhecido e até criticado pela “facilidade” com que transitava em outras legendas, buscando apoio de qualquer liderança política, dentro e fora do PT, para seus projetos.
A declaração de Rômulo Gouveia apenas confirma o que o PT já sabia: a traição dependeria apenas de oportunidade. Por que Cartaxo não saiu quando a presidente Dilma Roussef “surfava” nas ondas da popularidade, atingindo patamares só superados por Lula? Porque não era vantajoso. O prefeito esperou a hora certa, aquela em que o barco está afundando, como disse a ex-secretária de Saúde Roseana Meira, para livrar-se do “peso” que hoje representam o PT e a presidente da República.
Agiu em silêncio, na calada da noite, para não assustar a presa.
E conseguiu abatê-la, como manda o figurino.


