O prefeito de João Pessoa com certeza esperava capitalizar politicamente o programa do passe livre para estudantes da rede pública municipal, lançado ontem. Mas, nem de longe sonhava causar tanta polêmica e reação por parte do Governo do Estado. Primeira foi a secretária de Comunicação, Estela Bezerra, que chamou o programa de ilusão e acusou Luciano Cartaxo de copiar ações do PSB.
Depois, veio o próprio governador que usou o termo “farsa” para definir o programa. Mais ainda, acusou a gestão municipal de inoperante, disse que o mercado de peixe está abandonado e que nas ruas centrais da cidade já se vende até chuchu, numa alusão à volta da atuação dos camelôs.
A resposta do prefeito Luciano Cartaxo não demorou e veio através do seu líder na Câmara Municipal, Ubiratan Pereira. Primeiro, Bira disse que o governador deveria se preocupar em resolver os problemas da Segurança Pública, da Educação e da Saúde do Estado que “andam sucateadas”. Depois, revelou que Ricardo, enquanto prefeito, teve a chance de implantar o projeto, por sugestão sua, e não o fez. “Tivemos essa conversa no apartamento dele, no dia 18 de novembro de 2005, dia do aniversário dele. Mas, o projeto não foi a frente”, contou.
Bira encarou como “interferência na gestão municipal” as críticas do governador e disse que, ao invés de tentar prejudicar, Ricardo Coutinho deveria ajudar, com recursos do Estado, para que mais estudantes sejam beneficiados. O vereador ainda desafiou Ricardo a implantar o passe livre em nível estadual. “E do ponto de vista jurídico e legal, cabe ao município cuidar do transporte escolar de seus estudantes. A lei 10.709/2003 trata isso de forma clara. Se ele (Ricardo) quiser, pode implantar o programa na rede estadual de ensino”, sugeriu.
Seja como for, a verdade é que a relação entre o governador e o prefeito da Capital azedou de vez. E a polêmica sobre esse e outros temos está apenas começando. E olhe que 2014 ainda nem chegou.



