O governador Ricardo Coutinho (PSB) sempre foi do contra. Remou contra todas as “marés” que surgiram até agora em sua rota de navegação. Exemplos não faltam. O favoritismo de Cássio Cunha Lima e Aécio Neves. Só para citar dois casos. Vitorioso, o socialista decidiu correr mais riscos. Apostou todas as fichas na presidente Dilma Roussef, prestes a passar por um processo de impeachment e com popularidade abaixo do permissível.
Ricardo sabe que, se perder, pode ser esta sua última grande aposta. Mesmo assim, reuniu todos os governadores do Nordeste contra o impeachment da presidente. A seu favor, tem, além do apoio dos colegas governadores, o péssimo currículo do principal opositor de Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Pressionado por graves denúncias que o levaram ao Conselho de Ética, Cunha avisou que, se cair, levará muita gente com ele. E está cumprindo a promessa. Contra Dilma, constam várias denúncias, inclusive que configuram crime de responsabilidade (as pedaladas fiscais). Mesmo assim, Ricardo resolveu correr o risco. Se Dilma naufragar, o governador paraibano provavelmente sucumbirá junto. Se ela sobreviver, Ricardo tem tudo para ser uma espécie de “primeiro-ministro do Nordeste”.
Só tem um problema: até agora, a presidente não tem reconhecido os “sacrifícios” do paraibano, que contrariou até posição do PSB e ficou ao lado da petista. Não se sabe se Dilma, na conjuntura atual, terá uma reação diferente. É o que Ricardo e seus aliados esperam.

