O encontro na Ganja Santana, na manhã desta segunda-feira, não foi de confraternização pelas festas de final de ano, como em outras ocasiões. O governador Ricardo Coutinho (PSB) reuniu 23 dos 27 deputados que compõem sua base aliada na Assembleia Legislativa para anunciar mais cortes nos gastos públicos através das medidas amargas que adotará. E pediu apoio à essas medidas.
Ricardo sabe que não é fácil a aprovação de ajustes na máquina administrativa. Um tema que os deputados não gostam de tratar. Não os governistas. Especialmente quando as mudanças ameaçam benefícios e privilégios de suas bases políticas. A redução de gratificações e cargos, por exemplo, fatalmente poderia prejudicar pessoas indi cadas pelos parlamentares.
O governador não detalhou o “pacote” de medidas que pretende adotar, rotulando-o apenas como uma reforma administrativa. Talvez para não assustar os deputados. Quatro deles – Nabor Wanderley (PMDB), Jeová Campos (PSB), Zé Paulo (PSB) e Inácio Falcão (PT do B) – sequer compareceram à reunião, embora tenham justificado a ausência. Imagine se todos soubessem o teor exato e o alcance dessa reforma?
A reação de Trócolli Júnior (Pros) talvez ajude a entender a situação. Segundo ele, Ricardo Coutinho deve cortar entre 10% e 15% dos gastos para “oxigenar” a máquina. Apesar do baixo percentual, não dá nem para mesurar a extensão dos prejuízos. Isso, só depois de definidas as áreas atingidas pelas medidas.
“Estamos com o décimo terceiro garantido, o pagamento em dia garantido, e isso é motivo de alegria, porque só tem sete estados no Brasil na situação da Paraíba, pagando em dia. Então, se Deus quiser, vamos pedir que a economia em 2017 reaja para que a gente tenha dias melhores”, explicou o parlamentar governista.
Realmente, só nos resta torcer para a superação dessa crise o quanto antes.

