Aliados do prefeito Luciano Cartaxo andam preocupados com a movimentação do PSDB, visando as eleições de 2018. O prefeito Romero Rodrigues “acelerou” os contatos com prefeitos e vereadores nos últimos dias, avalizado pelo senador e primo Cássio Cunha Lima, liderança maior do ninho tucano na Paraíba. Entendem os “cartaxistas”, se assim podemos chamá-los, que o avanço de Romero pode significar o enfrentamento entre os dois prefeitos, mais na frente, pelo direito de encabeçar a chapa das oposições. E o PSDB, a preço de hoje, levaria vantagem por ter o PMDB como aliado.
Mas, o principal dilema do prefeito pessoense reside no seu próprio partido. Cartaxo enfrenta oposição dentro do PSD. O deputado Manoel Ludgero, único do partido, e sua esposa, Ivonete Ludgero, presidente da Câmara Municipal de Campina Grande, são aliados de Romero Rodrigues e trabalham incansavelmente pela candidatura do tucano em 2018. Para se ter ideia, Ludgero aproveitou o ato público na Praça do meio do Mundo, contra o Governo Temer, para reunir prefeitos num café-da-manhã com Romero, em Campina Grande, enquanto Cartaxo voltou para a Capital sem nem falar com o deputado.
Além de não contar com apoio dos próprios companheiros de partido, o prefeito de João Pessoa se mantém “de orelha em pé” em relação ao deputado federal Rômulo Gouveia, presidente do PSD na Paraíba e aliado histórico do Grupo Cunha Lima. Gouveia diz que a legenda está assegurada a Cartaxo, mas acompanha todas as ações dos comandados em favor de Romero e faz de conta que não vê. Nas eleições de 2014, Gouveia rompeu com o governador Ricardo Coutinho, então candidato à reeleição, para apoiar Cássio Cunha Lima, que disputou o Governo do Estado pelo PSDB. E olhe que, naquela ocasião, o atual dirigente do PSD era vice-governador e também candidato nato à reeleição.
O quadro de incertezas levou Cartaxo a pensar numa nova mudança de partido. Segundo um político de sua estrita confiança, o prefeito estaria apenas aguardando as mudanças decorrentes da reforma política para cair em campo em busca de novo abrigo. A única coisa que Cartaxo não abre mão, numa eventual transferência, é de controlar a nova legenda na Paraíba. Com isso, ficaria livre das dúvidas e desconfianças, carimbando de vez o passaporte para concorrer às eleições de 2018.
Com tantas perspectivas, não se sabe como ficará o projeto de união das oposições para 2018.


