Quando era deputada, Francisca Motta tornou-se excelente cobradora de aumento salarial para os servidores públicos estaduais. Foi assim durante o governo Cássio Cunha Lima (PSDB) e nos dois primeiros anos de mandato de Ricardo Coutinho (PSB). Nem mesmo a gestão do aliado José Maranhão (PMDB) ela poupou, embora tenha atuado de forma mais discreta, por razões óbvias.
Mas, há um adágio que diz: “Nem sempre um bom cobrador, é um bom pagador”. Após assumir a Prefeitura de Patos, Francisca Motta deixou de cobrar e passou a ser cobrada. Mas, até agora, pagar que é bom, nada. Professores estão em greve desde o início da atual gestão e a prefeita se nega a dar a melhoria salarial que tanto cobrou quando foi parlamentar.
Pior ainda, as demais categorias também reivindicam reajuste e Planos de Cargos e Salários, ameaçando uma greve geral que pode até mesmo comprometer a realização do milionário São João de Patos, festa orçada em mais de R$ 2 milhões, onde devem se apresentar as mais caras bandas de forró, passando pelo sertanejo de Bruno e Marrone e fechando, com chave de ouro, com o axé baiano do Chiclete com Banana. Todas com cachês de dar inveja a qualquer servidor municipal, por mais graduado que seja.
Na última quarta-feira (08), os professores deram mais um alerta. Saíram às ruas, após assembléia geral onde decidiram manter a greve, para protestar contra a falta de compromisso e diálogo de Francisca Motta. Desta vez, não estavam sozinhos. Representantes sindicais de outras categorias endossaram o coro. Os servidores da Saúde querem um Plano de Cargos e não conseguiram sequer discutir o assunto com a prefeita.
A situação dos agentes de trânsito é pior. Segundo Antônio Coelho, presidente do Sinatran/PB, até agora a Prefeitura prometeu apenas aumentar a jornada de trabalho, humilhando e irritando ainda mais a categoria.
José Gonçalves, vice-presidente do Sindicato dos Funcionários Municipais de Patos e Região, lamentou a situação e não descartou a greve geral. Gonçalves comandou o protesto da quarta-feira e admitiu dificuldades em conter a revolta dos servidores patoenses. Revolta essa ampliada com os números de repasses do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) e do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), feitos pelo Governo Federal à Prefeitura de Patos, nos últimos quatro meses.
“Vamos analisar a situação, mas não descartamos a possibilidade (de greve geral)”, reforçou Carminha Soares, presidente do Sinfemp.
É como diz outro adágio popular: “Uma coisa é ser estilingue, outra é ser vidraça”.
Abaixo, os valores dos repasses:
Fundeb FPM
Janeiro – R$ 1.909.856,28 R$ 5.194.004,86
Fevereiro R$ 2.382.019,50 R$ 6.089.672,47
Com informações do MaisPatos.com


