Que a população brasileira gosta de polêmica, ninguém duvida. Mas, quando se usa a polêmica para transformar “monstrengos em mitos” a situação é outra, bem mais preocupante. Nada se conhece do deputado federal Jair Bolsonaro, além do fato dele encampar o contraditório de mudanças sociais em curso, que divide opiniões. Esperto, Bolsonaro “mapeou” excessos da modernidade para se contrapor a um quadro que parecia irreversível.
Concordo com o parlamentar em muitos aspectos. A inversão dos papéis em relação aos homossexuais, por exemplo, é um deles. Estamos vivendo uma “ditadura da minoria”, onde grupos tentam se impor socialmente em detrimento da maioria contrária, usando como instrumento o “carma” da discriminação.
Nisso, Bolsonaro tem razão. Talvez até em outras causas. Mas, é pouco para torná-lo um ídolo, como sua figura está sendo “vendida” nacionalmente. Vendida, diga-se de passagem, e comprada, levando-se em conta o exemplo de sua recepção na capital paraibana. Não tolero discriminação, mas também não apoio distorção da realidade nem inversão de valores.
Aplaudido, ovacionado e, principalmente, seguido. Bolsonaro encarna hoje a imagem do “contra”, numa perigosa odisséia da inconformada e decepcionada população brasileira. Uma espécie de “salvador da pátria” que nunca fez bem à nenhuma democracia. Aliás, está bem mais próximo de uma ditadura instrumentalizada por falsas projeções.
Mas, por ser o contraditório, ele é aceito – e muito bem aceito – pelo nosso sistema. E pela população brasileira, o que é mais grave.
Ninguém suporta mais a roubalheira de Lula e seus asseclas, mas será que vale a pena confiar num desconhecido?

