A determinação sempre foi uma das características de Trócolli Júnior. Tanto que, quando se elegeu vereador em João Pessoa, ele já projetava chegar à Assembleia Legislativa. A sinceridade, também. Por isso acredito em sua justificativa para abandonar a disputa eleitoral em Cabedelo. Em carta que fez chegar aos profissionais de imprensa, Trócolli relata uma grave situação, que precisa ser investigada pela Justiça Eleitoral.
Segundo ele, falta compromisso com a cidade em grande parte da classe política local, mas sobra oferta de apoios em troca de dinheiro, como se voto fosse mercadoria. Num trecho do documento, Trócolli Júnior diz que “se eu vendesse todo o meu patrimônio amealhado em 27 anos de trabalho, não daria para pagar”, referindo-se aos pedidos que teria recebido de lideranças políticas que lhe ofereceram apoio.
Em outro trecho, o deputado afirma que “fica demonstrado que eu não me igualei às pessoas que conseguiram destruir a autoestima da população de Cabdelo. Não posso generalizar, porque também conheci muita gente boa por onde andei, mas, me recuso, peremptoriamente, a entrar na via que sempre destruiu a cidade de Cabedelo, como a compra de votos”.
Contou ainda que “tinha gente que me propôs que só somaria à candidatura se pagasse. Não quis entrar nesse jogo, porque nossa proposta é de mudança e de renovação das práticas políticas e administrativas da cidade de Cabedelo. Nesse tempo, tive oportunidade de conhecer muitas pessoas que queriam e que querem mudar essas práticas, independentemente de classes sociais. Conhecemos comunidade supercarentes, que pregam as mesmas coisas que pregamos. Imaginamos que, num futuro, essa consciência irá ser coletiva, de toda a população, para que Cabedelo não afunde como vem afundado há duas décadas”.
É um quadro triste, que deixa decepcionado não apenas o deputado, mas o eleitor cabedelense que luta para ver sua cidade livre dessas chagas. Mesmo angustiado, Trócolli Júnior deixa transparecer, nas entrelinhas, que está dando apenas um até logo ao sonho de administrar à cidade. E não um adeus.
Quanto às denúncias, cabe ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral apurar.
