Foram poucas horas de chuva nesta segunda-feira, mas suficientes para mostrar à população a vergonhosa obra executada pela Prefeitura de João Pessoa na Lagoa do Parque Solon de Lucena. Com o túnel construído para escoamento do excesso de água estourado pela terceira vez, moradores e transeuntes constataram novamente o “milagre dos peixes” jorrados do asfalto da Avenida Padre Azevedo, no centro da cidade. Milagre que só os técnicos da PMJP e da empresa responsável pela obra podem explicar.
Os vereadores Renato Martins (PSB), Raoni Mendes (DEM) e Bruno Farias (PPS) visitaram o local e lembraram a necessidade de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito pela Câmara Municipal para investigar o problema e a obra da Lagoa, de forma geral. A bancada de Oposição bem que tentou, anteriormente, mas esbarrou numa decisão do desembargador Marcos Cavalcanti, presidente do Tribunal de Justiça, cassando liminar do juiz Marcos Sales, da 1ª
Vara da Fazenda Pública da Capital, que determinava a instalação de CPI solicitada pelos vereadores.
Com o primeiro pedido arquivado, os vereadores analisam agora a possibilidade de apresentação de um novo pedido de CPI. “O túnel superfaturado rachou. Peixe e muito dinheiro desperdiçado no asfalto. Envergonhada, desta vez a gestão Cartaxo colocou lona. Calar a CPI não muda a verdade, só ajuda a impunidade. Recuperar os recursos é também recuperar esta obra”, comentou o vereador Renato Martins, líder da Oposição, que fez um vídeo do local e postou em sua página no Facebook.
Se tá difícil a criação da CPI, o jeito é aguardar o resultado das investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, que já constataram sérias divergências entre informações fornecidas pela gestão de Cartaxo e por donos da empreiteira responsável pela obra. Nos próximos dias, devemos ter novidades sobre o caso. A vergonha constatada pela terceira vez na obra apenas aumenta a esperança de que este episódio não entrará para o rol das impunidades.

