
Após décadas e décadas de bombeamento — um relatório da Nasa de 2017 aponta que esse processo começou na década de 1920 —, o solo está começando a desmoronar e se compactar.
A situação se agrava ainda mais em períodos de secas prolongadas, como a ocorrida entre 2012 e 2016, quando as terras da região, no centro da Califórnia, registraram altas taxas de afundamento.
De acordo com Jay Famiglietti, um ex-cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, e agora diretor do Instituto Global de Segurança da Água da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, hoje não há nada que possa ser feito para contornar a situação.
“Esse formato de tigela que foi criado a partir do bombeamento é grande e pode ser por isso que as pessoas não percebam o problema. Mas uma análise cuidadosa descobriria que há muita infraestrutura potencialmente em risco”, disse em entrevista ao “New York Times”.
Foi Famiglietti quem ajudou a descobrir o problema e alertou sobre graves afundamentos na área com base em imagens de satélite desde 2009. Os cientistas passaram anos rastreando afundamentos lá e em outros lugares no vale de San Joaquin usando radar e tecnologia de satélite.
As consequências
Além da alteração na paisagem da cidade, essa subsidência (movimento da superfície, no caso) também danifica a infraestrutura. O município teve, por exemplo, que instalar três estações elevatórias para bombear água pelos diques, logo que o afundamento fez com que a água, que costumava correr apenas com a força da gravidade, ficasse acumulada em vez de fluir.
Foram gastos US$ 1,2 milhão (ou R$ 6,08 milhões na cotação atual) em 10 anos nesses equipamentos, pagos pelos fazendeiros, segundo a reportagem do “New York Times”.
Além disso, revestimento de poços de água potável foram destruídos, zonas de inundação mudaram e o dique da cidade teve que ser reconstruído por US$ 10 milhões (R$ 50,07 milhões), aumentando as contas de impostos sobre a propriedade dos moradores em cerca de US$ 200 (R$ 1.014) por ano durante três anos. O dique tinha afundado de 59 metros quando foi construído em 1983 para 57 metros em 2017. Alguns moradores também foram forçados a comprar seguro contra inundações pela primeira vez.
Para Karla Nemeth, diretora do Departamento de Recursos Hídricos do estado da Califórnia, o bombeamento excessivo de água subterrânea e seu efeito em Corcoran são questões que merecem um olhar mais atento. “A situação de Corcoran é a amostra absoluta de que o bombeamento não gerenciado de água subterrânea é inaceitável na Califórnia e do que isso gerou”, afirmou.
Com Marcos Bonfim/UOL

