O presidente Durval Ferreira (PP) é um político experiente. Jamais se postaria a descumprir ou ignorar uma decisão judicial, mesmo que fosse para beneficiar um aliado. Enquanto a bancada de Oposição pressionava por resposta sobre a CPI da Lagoa, Durval dava continuidade ao seu trabalho dentro e fora da Câmara Municipal, buscando consolidar perspectivas para mais um mandato nas eleições de outubro próximo.
Somente na tarde desta terça-feira, segundo o próprio líder da Oposição, Renato Martins (PSB), o presidente da Câmara Municipal de João Pessoa foi notificado para se posicionar diante do Mandado de Segurança, com pedido de liminar, impetrado pelos vereadores oposicionistas para instalação da CPI da Lagoa, aquela destinada a investigar denúncia de desvio de R$ 9 milhões das obras da Lagoa do Parque Solon de Lucena. Isso, de acordo com relatório da Controladoria Geral da União.
Agora, devidamente ciente da situação, Durval anunciou que se pronunciará sobre a CPI da Lagoa e outras três solicitadas pela bancada de Situação nos próximos dez ou doze dias. Ou seja, dentro do prazo estabelecido pela Justiça. Mais uma vez, o experiente vereador do PP mostrou que sabe ser fiel, justamente na hora que os aliados mais precisam.
Poderia ele já ter se posicionado, dando à bancada de Oposição mais tempo para investigar o caso que envolve a gestão do prefeito Luciano Cartaxo. Mas, Durval preferiu adiar, o quanto pode, mesmo correndo o risco de desgaste perante a opinião pública e das críticas da Oposição.
Durval fez a sua parte. Mas, o presidente da Câmara Municipal também sabe ser adversário, quando necessário. Portanto, é bom os aliados de plantão lembrarem dessa outra face do vereador do PP, que só se manifesta quando ele sente algum indício de traição no ar.
O recado está dado.

