O que o eleitor pessoense mais pede aos candidatos? Emprego, dinheiro, material de construção, medicamento… Na maior parte da cidade, a abordagem é a mesma. Mas, não no bairro do Róger, um dos mais tradicionais da cidade.
Moradores da parte mais carente do bairro, o chamado “Baixo Róger”, convivem com um perigo diário que os fazem abrir mão de qualquer outro favor no campo material. Por isso, o que mais pedem aos candidatos que por lá aparecem para pedir votos é a retirada do presídio local, um “barril de pólvora” pronto para explodir a qualquer momento.
Rebeliões, fugas, tiroteios e mortes fazem parte da rotina de quem vive na comunidade, acostumada a estampar as páginas policiais dos jornais. Promessas são muitas, mas nada de solução. Mesmo assim, a população do Róger continua pedindo, clamando, às autoridades governamentais que reloquem o presídio.
“É impressionante. Não há uma só casa onde não se queixem do presídio. É uma questão de segurança pública. Os moradores arriscam suas vidas diariamente. Portanto, é compreensível que foquem a retirada do presídio como principal reivindicação”, justifica o vereador Pedro Coutinho (PTB), candidato a reeleição e uma das principais lideranças políticas do Róger.
Adversário de Coutinho no bairro, o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo ex-governador José Maranhão, Tavinho Santos, concorda com o colega e diz que a “falta de vontade política é o principal entrave para retirada do presídio”. Santos, que também é vereador e tem no Róger sua principal base eleitoral, lembrou que já fez requerimentos e sugestões para transformar o local numa escola, mas ficou só nisso.
“Somente o Governo do Estado teria competência e condições para resolver o problema, mas não há interesse. Mesmo assim, a população continua pedindo porque teme pela própria segurança”, sustentou.
Além de tradicional, o Róger é um dos bairros mais populosos da Capital. Portanto, com muitos eleitores. Bom seria se os políticos paraibanos não lembrassem disso apenas durante o período eleitoral.
