AIJE DOS FANTASMAS: Coligação de Cícero entra com ação contra Lucas Ribeiro por contratação de 6,5 mil servidores temporárias em ano eleitoral

TRE deve apurar denúncias contra governador (Imagem da Internet)

Ação protocolada pela coligação “Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo” aponta que o Governo do Estado gastará mais de R$ 250 milhões até o 1º turno com contratações sem concurso. Mesmo alertado pelo MPE, o governador contratou mais de 2,1 mil pessoas após a advertência..

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) passou a analisar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) de grande impacto político ajuizada pela coligação “Juntos para a Paraíba Dar o Próximo Passo” e pelo candidato a governador Cícero de Lucena. A peça jurídica aponta suposto abuso de poder político e econômico, além de condutas vedadas, decorrentes de um acréscimo expressivo e atípico nas contratações temporárias realizadas pelo Governo do Estado ao longo do primeiro semestre de 2026.

*A explosão da folha e os custos ao Estado* –

De acordo com a representação, que cruza dados de 31 competências mensais do Portal da Transparência (de janeiro de 2024 a julho de 2026), a despesa mensal com pessoal do Poder Executivo estadual saltou de R$ 825,3 milhões em junho de 2024 para R$ 1,13 bilhão em julho de 2026.

O epicentro do crescimento financeiro recai sobre a rubrica de contratação precária denominada “Prestador de Apoio”. Em 2026, para se ter uma ideia dos abusos, 6.547 pessoas que não tinham vínculo com o Estado em dezembro de 2025 foram admitidas sem concurso e mantidas na folha de julho.

*Impacto financeiro mensal:*

O contingente admitido em 2026 custa sozinho R$ 37,66 milhões por mês. Entre janeiro e julho, o Estado já desembolsou R$ 138,1 milhões com esse grupo. Mantido o patamar de julho, a conta ultrapassará R$ 251,1 milhões até o primeiro turno (4 de outubro) e chegará a R$ 326,4 milhões até o encerramento do ano.

*Concentração burocrática e inversão de prioridades*-

A acusação detalha que o inchaço de pessoal ignorou as reais necessidades da rede pública. Do total de ingressos, 77,9% (5.103 pessoas)foram alocados na Secretaria de Estado da Educação. Destes, 4.721 servidores (72,1% de todo o Estado) foram direcionados a apenas duas unidades internas de perfil estritamente burocrático: o Núcleo de Registro Funcional (2.604) e a Assessoria de Apoio Logístico (2.117).

Para ilustrar o desvio de finalidade, a petição aponta que a “Assessoria de Apoio Logístico” contava com apenas 40 integrantes em janeiro de 2024 e inflou para 2.367 em julho de 2026 — um salto de 59 vezes, elevando o custo mensal de R$ 101 mil para R$ 13,4 milhões. Cerca de 82,5% desses novos postos ocupam a função genérica de “assistente administrativo”, sem exigência de habilitação técnica. Datas emblemáticas marcam o processo: em 31 de março de 2026, dois dias antes da posse do governador Lucas Ribeiro, 1.704 pessoas foram contratadas em um único dia; em 24 de junho, a dez dias do início das vedações eleitorais, outras 1.632 admissões foram efetivadas.

Desde abril, o Estado passou a contar com mais assistentes administrativos de apoio na Educação do que professores temporários regendo turmas. Na Saúde, o padrão se repetiu com 1.145 contratações, das quais 248 não possuem qualquer relação com a assistência hospitalar.

*O Desrespeito aos Alertas do Ministério Público Eleitoral*

Outro eixo central da AIJE é o descumprimento deliberado de advertências formais expedidas pelos órgãos de controle. Em 13 de abril de 2026, onze dias após assumir o governo, Lucas Ribeiro recebeu a Recomendação PRE/PB nº 6/2026 da Procuradoria Regional Eleitoral. Amparada em relatório do TCE-PB, a medida apontava que o índice de temporários havia atingido o patamar de 79,98% em janeiro (muito acima do teto constitucional e legal de 30%) e determinava a cessação imediata de novas contratações, fixando aquele percentual como teto intransponível.

A resposta do Executivo estatal, contudo, foi a ampliação da folha: 2.176 pessoas foram contratadas após a ciência formal da recomendação (sendo 519 em maio e 1.632 em junho), gerando um impacto mensal extra de R$ 12,72 milhões.

Além disso, o cruzamento nominal entre a folha estadual e as bases públicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou dezenas de contratados com histórico político-partidário, mandatos vigentes ou participação em pleitos recentes, o que reforçaria a tese de instrumentalização político-eleitoral da máquina pública.

*Pedidos da Ação* –

Diante da gravidade do quadro, a coligação requer em caráter de urgência a concessão de tutela inaudita altera para para obrigar o Estado a suspender novas contratações na rubrica de apoio nas pastas de Educação, Saúde e Desenvolvimento Humano, respeitando o teto fixado pelo MPE sob pena de multa.

No mérito, a AIJE pleiteia a cassação dos registros ou diplomas dos candidatos diretamente beneficiados — incluindo o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro e a candidata a vice Lígia Feliciano —, a cassação da candidatura ao Senado de João Azevêdo, e a decretação de inelegibilidade de todos os investigados pelo prazo de oito anos, além do encaminhamento de peças ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado.

AIJE 0600761-48.2026.6.15.0000 – Contratação irregular de pessoal – Lucas e outros

O Blog tentou falar com os candidatos acusados na AIJE, mas não conseguiu. O espaço perma ece aberto ao contraditório.

Com Assessoria

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