O Senado vai gastar R$ 3,64 milhões em ajudas de custo que serão pagas em 2019 aos senadores cujos mandatos estão se encerrando e àqueles que se elegeram em 2018 para assumir uma cadeira na Casa no próximo ano.
Ao todo, o Senado fará 108 pagamentos no valor de R$ 33,7 mil, o correspondente a um mês de salário de cada parlamentar.
De acordo com a assessoria do Senado, os recursos serão desembolsados para auxiliar na mudança dos parlamentares: de BrasÃlia para os estados – nos casos dos senadores em final de mandato – e dos estados para o Distrito Federal – nos casos dos eleitos. Apesar disso, os parlamentares podem, se quiserem, utilizar o dinheiro para outra finalidade.
Os que se reelegeram recebem duas vezes – em razão do término de um mandato e do inÃcio de outro (veja mais abaixo). Como já têm residência em BrasÃlia e não necessitam de mudança, também podem usar a verba para outros fins.
Os senadores que desejarem poderão reembolsar a quantia ao Senado.
Os R$ 3,64 milhões serão bancados com recursos do Tesouro Nacional a serem consignados ao Senado na Lei Orçamentária de 2019.
A concessão do benefÃcio está prevista em um decreto legislativo de 2014. Até 2013, segundo a assessoria do Senado, os parlamentares recebiam no inÃcio e no final de cada ano.
Ajuda de custo em dobro
Os oito senadores que se reelegeram para um novo mandato têm direito ao benefÃcio duas vezes – uma pelo término do mandato e outra pelo inÃcio de um novo perÃodo no Senado.
Os reeleitos são Eduardo Braga (MDB-AM), Ciro Nogueira (PP-PI), Jader Barbalho (MDB-PA), Paulo Paim (PT-RS), Renan Calheiros (MDB-AL), Sérgio Petecão (PSD-AC), Humberto Costa (PT-PE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
Projeto busca restringir; outro, revogar
Pelo menos um projeto em tramitação no Senado tenta extinguir a ajuda de custo no inÃcio e no final do mandato. Outro propõe restringir a concessão do benefÃcio, vetando a ajuda de custo para os reeleitos.
Este último, de autoria da senadora Ana Amélia (PP-RS), é o que se encontra em estágio mais avançado de tramitação. O projeto está pronto para ser apreciado no plenário, mas ainda depende de entrar na pauta de votações.
“A ajuda de custo é efetivamente destinada a compensar as despesas com mudança e transporte dos parlamentares. Trata-se de excluir o seu pagamento no caso de reeleição, inclusive no caso de deputado eleito senador ou vice-versaâ€, diz a senadora na justificativa do projeto.
A outra proposta, que revoga o benefÃcio, de autoria do senador Reguffe (sem partido-DF), sequer teve relator indicado.
“Tal ‘ajuda de custo’ não se justifica sob a alegação de ‘compensar as despesas com mudança e transporte’, porquanto os parlamentares já dispõem de apartamento funcional e auxÃlio-moradia, além de passagens aéreas para deslocamento a BrasÃlia e retorno ao Estado de origemâ€, afirmou Reguffe na justificativa.
Câmara estuda rever regra
Deputados também têm direito à verba extra de R$ 33,7 mil. A Câmara, no entanto, estuda mudar as regras para a concessão do benefÃcio.
Segundo a assessoria de imprensa da Casa, o objetivo é tornar os critérios “mais claros e restritivosâ€.
A Câmara não informa que tipo de mudança está em estudo nem para quando é pensada. Ressaltou apenas que “eventuais alterações†nos critérios estão em avaliação na esfera administrativa.

