Auditoria do TCE aponta que somente 14 dos 223 municípios paraibanos estão preparados para a reforma tributária

O Tribunal de Contas  da Paraíba (TCE-PB) apresentou, durante a sessão plenária desta quarta-feira (30), sob a presidência do conselheiro André Carlo Torres Pontes, os resultados da Auditoria Temática 03/2026, que avaliou o nível de maturidade da administração tributária dos 223 municípios paraibanos e o grau de preparação das prefeituras para a transição decorrente da Reforma Tributária do Consumo. A apresentação foi realizada pela auditora de controle externo Christiane Mariz Maia.

A Auditoria identificou que a maior parte das prefeituras ainda apresenta pontos que precisam ser aprimorados, especialmente em relação à preparação para as mudanças decorrentes da Reforma Tributária. O levantamento integra a Auditoria Temática nº 03/2026, desenvolvida pela Diretoria de Auditoria e Fiscalização (DIAFI), por meio do Departamento de Controle de Políticas Públicas (DECOPP).

O trabalho foi realizado em cumprimento às diretrizes da Nota Recomendatória Conjunta ATRICON/IRB nº 01/2026, que orienta os Tribunais de Contas a atuarem de forma proativa no acompanhamento da transição para o novo sistema tributário e no fortalecimento da arrecadação própria dos municípios.

O diagnóstico criou o Índice de Maturidade da Administração Tributária Municipal da Paraíba (IMAT-PB), metodologia desenvolvida pelo TCE-PB que considera três dimensões: Estrutura, com peso de 45%; Sistema Tributário, com 25%; e Adequação à Reforma, com 30%. A classificação varia de 0 a 100 pontos, distribuída nas faixas “Inicial”, “Em Desenvolvimento” e “Preparado”.

O resultado estadual revela um cenário de maturidade intermediária. O IMAT-PB médio foi de 62,09 pontos, com mediana de 64. Dos 223 municípios analisados, 199 (89,2%) estão na faixa “Em Desenvolvimento”, enquanto apenas 14 (6,3%) alcançaram a condição “Preparado”. Outros dez municípios (4,5%) ficaram na faixa “Inicial”.

Preparação para a Reforma é o principal desafio -Um dos principais alertas do diagnóstico está justamente na preparação para a nova arquitetura tributária. Entre as três dimensões avaliadas, o Sistema Tributário apresentou a maior média, com 71 pontos, seguido pela Estrutura, com 67,7 pontos. Já a dimensão Adequação à Reforma registrou apenas 46,3 pontos, tornando-se o principal ponto de atenção identificado pela auditoria.

De acordo com o levantamento, 99% dos municípios aderiram ao padrão nacional da NFS-e, enquanto 54% adotaram ações para resguardar o ISS até 2026 e 52% capacitaram servidores sobre IBS e CBS.

Por outro lado, apenas 13% designaram uma coordenação específica para a Reforma Tributária, 9% atualizaram a COSIP para COSISP, 8% adequaram a Lei Orgânica à Emenda Constitucional nº 132/2023 e somente 5% aderiram ao Sinter e implementaram o CIB.

O levantamento aponta, assim, uma diferença entre a adoção de medidas com obrigações ou prazos mais imediatos e a preparação institucional de longo prazo para a transição tributária.

Falta de fiscais preocupa- Outro ponto de destaque apresentado pelo TCE-PB foi o dimensionamento dos quadros fiscais municipais. Para isso, a auditoria utilizou o CRD-Fiscal/PB, critério complementar que considera a população de cada município para avaliar a necessidade de fiscais de tributos.

O diagnóstico identificou 65 municípios em situação considerada crítica, o equivalente a 29% do Estado. Desse total, 61 municípios, ou 27%, não possuem nenhum fiscal.

Segundo a auditoria, a insuficiência de pessoal pode comprometer atividades como fiscalização ativa, lançamento de ofício, cobrança e preservação da receita própria municipal. Entre as medidas apontadas estão a estruturação da carreira fiscal e a realização de concursos públicos.

A auditoria também identificou 32 situações de alerta relacionadas à administração tributária, que terminaram por gerar 222 Alertas aos Gestores, os quais, reproduzidos para os municípios considerados no levantamento, resultaram em 2.264 ocorrências, classificadas em níveis de criticidade alta, média e baixa.

Entre os problemas mais frequentes estão a ausência de convênios para compartilhamento de cadastros (83%), a não utilização do protesto da dívida ativa (82%), a não atualização da COSIP para COSISP (74%), a falta de adequação da Lei Orgânica à EC nº 132/2023 (65%) e a ausência de Sinter/CIB (61%).

Também foram identificados municípios sem agentes fiscais com e-CPF (59%), sem regra para atualização do IPTU por ato do Executivo (54%) e com concurso para a área fiscal realizado há mais de dez anos ou nunca realizado (51%).

TCE-PB propõe atuação coordenada- Diante dos resultados, a Auditoria Temática 03/2026 propõe uma estratégia de atuação em escala estadual para enfrentar problemas que se repetem em diversos municípios.

Entre as medidas sugeridas estão a criação de convênios-quadro de cooperação fiscal, adesão em bloco ao protesto da dívida ativa, elaboração de minutas-modelo para adequações normativas e capacitação centralizada sobre IBS e CBS.

O Tribunal também prevê a elaboração de 223 relatórios individualizados, a criação de um painel público de acompanhamento, a aplicação anual do IMAT-PB e a utilização do CRD-Fiscal/PB como instrumento de apoio à estruturação das carreiras fiscais.

Diagnóstico dará origem a acompanhamento permanente – A proposta do TCE-PB é transformar o diagnóstico em um ciclo permanente de indução, acompanhamento e melhoria da administração tributária municipal.

Os próximos passos incluem a devolução dos relatórios individualizados aos 223 municípios, o acompanhamento das providências nos PAGs, a disponibilização de um painel público com planos de ação e evolução dos municípios e a aplicação anual do IMAT-PB, permitindo a construção de uma série histórica.

A auditoria destaca que o fortalecimento da administração tributária municipal está diretamente relacionado à autonomia fiscal e à capacidade dos municípios de financiar políticas públicas.

Acompanhamento continuará – O diagnóstico não encerra a atuação do TCE-PB. Como próximos passos, serão emitidos 223 relatórios individualizados de maturidade tributária, a serem inseridos nos processos de Acompanhamento da Gestão (PAG) das prefeituras em 2026, com sugestões de alerta, quando cabíveis.

O Tribunal também prevê a criação de um painel público para acompanhar as ações adotadas pelos municípios e a aplicação anual do IMAT-PB. O levantamento de 2026 servirá como linha de base para monitorar a evolução da administração tributária e os resultados das medidas implementadas.

Com a Auditoria Temática nº 03/2026, o TCE-PB busca apoiar os municípios na identificação de fragilidades e na adoção de medidas para fortalecer a administração tributária diante das mudanças trazidas pela Reforma Tributária.

Com Ascom/TCE-PB

Dez pesquisas para governador da Paraíba devem ser divulgadas no sábado (3), véspera do 1º turno

No próximo sábado (3), véspera do 1º turno das Eleições 2026, deverão ser divulgadas 10 pesquisas de intenção de voto para o Governo da Paraíba. Entre os institutos que devem apresentar novos levantamentos estão Quaest, Dataranking, Índice L3 e Seta, além de outros institutos. As pesquisas são registradas no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Os últimos levantamentos divulgados apontaram o atual governador e candidato à reeleição, Lucas Ribeiro, na liderança da disputa, com cenários que indicam a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. Os números, no entanto, refletem o momento em que cada pesquisa foi realizada e podem apresentar diferenças entre os institutos.

Na disputa pelas demais posições, Cícero Lucena e Efraim Filho aparecem, conforme os levantamentos mais recentes, na briga por uma eventual vaga em um segundo turno contra Lucas Ribeiro. As novas pesquisas previstas para sábado devem apresentar um dos últimos retratos da corrida eleitoral antes da votação.

Com portalnews/luis adriano